Cada dia que passa acredito menos na inocência da infância. Ela se torna mais adulta e fria. Na minha época eu pulava cordas e elásticos, competia corridas e ralava os joelhos. Perdi as contas de quantos tampões do dedão do pé já ficaram no chão quando ia chutar uma bola. Hoje, as crianças se descobrem sexualmente mais cedo e trocam os valores absurdamente. As meninas já usam maquiagem antes mesmo de trocar os dentes. Os meninos já sabem o que é camisinha antes mesmo de terem pêlos nas axilas. Muito antes.
Os pais têm cada vez menos tempo para encantar as coisas. Para que contar a uma criança que enquanto ela dorme, o Papai Noel deixa um presente na árvore de natal, por que afinal de contas ela é uma boa criança? Será mais vantagem pra ela acreditar que se ela for igual a Barbie, será mais popular na escola.
A televisão prejudica ainda mais a situação. Tudo é direcionado às crianças. Elas são a arma do marketing, por serem persuasivas e chatas (quando os pais permitem, o que acontece com frequência no século 21). Fazem o que querem, quando querem.
As crianças atuais me assustam. E me assusta mais ainda a ideia de ter que falar com uma criança como fosse um adulto, por ela mesmo não entender a linguagem infantil.
Por outro lado, há momentos em que as crianças percebem seus instintos infantis e imploram por um abraço, um cafuné. Noto, então, que temos - nada mais nada menos - crianças carentes. Não carentes de dinheiro ou alguma necessidade especial. Mas de amor. E aí renasce a minha esperança.
Pais, pelo amor de Deus, abracem seus filhos! Escutem-os quando dizem que têm medos, esperanças, dúvidas, sentimentos. Não faz sentido criança ter um tênis NIKE e não ter o abraço de um pai. Uma criança de cinco anos vai para a escola todos os dias de manhã. Nas segundas e quartas pela tarde faz inglês, e logo em seguida karatê. Nas terças e quintas faz francês e aulas de reforço. Sexta, enfim, é dia de ir para a casa do papai, que por sua vez viajou a negócios. Ótimo. Fim de semana com a babá, por quê a mamãe tirou umas férias com as amigas da academia. Resultado: sozinha de novo.
Eis o que eu vejo todos os dias. Virei mãe antes de dar à luz uma criança. Virei mãe por substituir um abraço, uma palavra de conforto. Não me importo de dar tudo isso. Mas as nossas crianças, elas sim. E pais, olhem para seus filhos, é só o que eles precisam. Terapia não resolve tudo, motoristas não perguntam como foi o dia, babás não dão beijos de boa noite e professores não são os responsáveis principais pela educação.
Comentários
Anônimo em 16/08/2010 às 16:28
Ótimo texto, ótimo tema.
Concordo, concordo ... concordo³².
Anônimo em 16/08/2010 às 22:24
Obrigada, obrigada e obrigada. :)
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