DF - DIPLOMAÇÃO/DILMA  - POLÍTICA - A presidente eleita Dilma Rousseff (PT) é cumprimentada pelo seu vice Michel Temer   (PMDB), durante a cerimônia de diplomação dos dois no plenário do TSE, em Brasília, nesta sexta-feira. Dilma recebeu do ministro Ricardo   Lewandowski, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ricardo Lewandowski, o diploma para exercer o mandato a partir de 1º de   janeiro, quando será realizada a cerimônia de posse no Congresso Nacional.    17/12/2010 - Foto: DORIVAN MARINHO/FOTO ARENA/AE

Manifestações populares, impeachment e Eduardo Cunha

Somos reféns de um sistema que sequer entendemos direito. Para hoje já há agendado um panelaço durante o programa do PT e para o dia 16 uma manifestação contra o governo. O impacto direto que estas manifestações públicas tem? Nenhum.

A saída da presidente já toma contornos reais, porém não imediatos. Descartando uma possível renúncia, mais pela personalidade de Dilma do que por necessidade, o caminho seria o impeachment, que o próprio presidente da Câmara se recusava a discutir. Com PDT e PTB saindo da base aliada na Câmara e com o próprio presidente da casa rompendo com o PT, governar vai ficando cada vez mais difícil para Dilma, que já sofreu um golpe ontem com a aprovação de uma das “pautas-bomba”.

Política é uma área curiosa. Até outro dia o impeachment era impensado, hoje se aprova um aumento absurdo de salários só para quebrar as contas do governo (e que se lasque quem paga essas contas) e amanhã já temos um outro alguém no poder. Se o rei atual não serve que o matemos para que outro seja posto em seu lugar.

Não gosto do governo do PT e sinceramente acho que toda essa crise é apenas a colheita de um vento plantado antes das eleições. Acho sim que o Michel Temer é dez vezes mais competente e inteligente que a Dilma e já deixo aqui que ficarei feliz se isso acontecer. O engraçado é como todo o cenário político vem se alterando, não a esmo, antes pelo contrário, bem direcionado. O processo de impeachment precisa começar na Câmara dos Deputados, casa de onde Eduardo Cunha (PMDB) é presidente. Depois é avaliado pelo Senado (cujo presidente também é do PMDB, mas esta sessão exclusivamente quem presidiria seria o Ricardo Lewandowski, atual presidente do STF) em um julgamento político. Como estamos no Brasil sabemos que não importa que provas sejam apresentadas ou não, o resultado é definido nos bastidores. Tudo isto para tornar presidente o atual vice, que também é do PMDB (caso ele também não sofra impeachment junto no processo, o que não parece ser do interesse de ninguém). Seria o segundo vice-presidente PMDBista a assumir o cargo, depois do Sarney.

O que me espanta é que não há impeachment por descontentamento popular. O simples fato de Dilma ter o menor índice de aprovação de todos os tempos já deveria deflagrar o processo, mas não. O que há é um quadro onde é possível trocar o governante com o apoio do povo. Impeachment na era do Lula, por exemplo, era impossível: todos os 5 presidentes da Câmara eram ou do PT ou da base aliada. Eduardo Cunha, o mesmo que votou duas vezes a pauta da maioridade penal mesmo sabendo da ilegalidade disso, se desgarrou não foi à toa. Tivesse ficado ele junto com o PT, o impeachment, mesmo com 100 manifestações populares, ainda seria impossível.


Não sou, como vocês sabem, analista ou cientista político. Sou só alguém que acha que os brasileiros deveriam saber um pouco melhor como as coisas realmente funcionam. Se errei em algum dado me avisem que eu altero, se não concordarem com o meu ponto de vista comentários também são bem-vindos. :)

 


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