O fim da era Galvão

É impressionante, a Globo conseguiu. No começo da copa o Galvão era inimigo público e ontem, no final do Central da Copa, me peguei quase chorando por causa da saída dele.

Não fiz coro pro Cala boca Galvão no twitter (se fiz confesso que não lembro), mas sempre falei mal. O Galvão comentando o jogo ao invés de narrar e querendo alfinetar o Arnaldo César Coelho a todo lance é ridículo. Como gosto do ridículo, do risível, assisto na Globo, mas pelo visto não faço parte da maioria nesse assunto. Os pontos da Globo no Ibope vinham caído bastante, enquanto a sombra da Band vinha crescendo, mas <liga voz do Galvão> amigo, isso aqui é jogo de copa do mundo. Não tem mais gente boba não.<desliga voz do Galvão>

Comecei a me sensibilizar (vou ser zoado por essa frase, paciência) quando vi uma entrevista do Arnaldo pra Angélica no Estrelas (vou ser zoado por isso também). E lá ele explicava que eles nunca brigaram sério, são amigos de 30 anos e que só se irrita com o Galvão quando - pasmem - ele chega atrasado em algum jantar. O resto, pelo visto, é só piadinha. Pra confirmar vi um twitt dele falando que o Galvão tinha chamado pra jantar. Achei legal, juntei uma coisa com a outra, guardei na mente e segui adiante.

Nesse meio tempo veio o cara de São Paulo. Confesso, odiava o Tiago Leifert. Achava chato, entrão. Na primeira vez que o vi apresentando o Globo Esporte junto com a Glenda achei absurdo. Depois começou o Central da Copa, as piadinhas engraçadas e simpatizei. Ele estava levando pra televisão um pouco do Rock Bola, misturado com o que o Tadeu Schmidt estava fazendo no Fantástico.

Veio a copa e o Cala Boca Galvão veio junto. Fiquei meio mal com aquilo, era como se meus amigos estivesse ofendendo alguém de graça, sei lá. Não tinha a mesma graça de quando a gente reclamava vendo o jogo na TV e falava na nossa sala. O Tiago Leifert comentou com o Galvão o fato e o cara achou graça. Existe uma teoria (daquele tipo em que a Globo quer dominar o mundo) de que tudo foi um truque, que na verdade ele odiou a história mas foi obrigado a rir. De qualquer jeito o Galvão ganhava um ponto comigo ali.

Durante todas as transmissões, quando o Tiago aparecia conversando com o Galvão, via como um mestre e seu aprendiz. E se o aprendiz gosta tanto, admira tanto o mestre, e se você vai com a cara do aprendiz... sei lá, dá o que pensar.

No jogo do Brasil notei que o Galvão estava sem voz. "O cara tá velho", pensei.

E veio a história de ontem. Não me pegaram num dia muito bom eu acho. Vi no twitter qualquer coisa que o Galvão ia se aposentar, mas achei que fosse só mais uma palhaçada do pessoal. De noite, no Central da Copa, o último Central, vi que era verdade. Um desabafo emocionado, de uma pessoa que é sabidamente arrogante ao extremo, mas é um desabafo emocionado, um sinal de que tem emoção ali. E o motivo, a família. Quer coisa mais legal? O cara pensar na família? Admitir que está chegando no fim da sua era. Aquilo mexeu comigo. O começo de uma era cheia de tiradas engraçadas e edições brincalhonas na maior rede de televisão do país, simbolizadas por um cara que estava ali parecendo só brincar no seu começo de carreira, e junto a isso o fim da era Galvão. A TV acompanha a nossa história, o futebol é a nossa história e o Galvão, querendo ou não, faz parte disso aí.

Enfim amigo, HAJA CORAÇÃO.

Submarino.com.br

Comentários

Anônimo em 13/07/2010 às 01:05

Tirando os comentários viadinhos, vi verdade e coerencia no seu artigo.

Certamente a Globo vai precisar achar alguém tão polêmico quanto o Galvão para preencher essa lacuna.

Leonardo Bighi em 13/07/2010 às 11:35

Já vai tarde.

Ô cara chato.

Diogo Vincenzi em 13/07/2010 às 12:31

Eu até acho engraçado ver jogo de futebol com o Galvão pois dá pra relevar as besteiras que ele fala de vez em quando e, pelo menos, ele entende. Mas para os fãs de Formula 1, já vai tarde demais. Eu parei de assistir as corridas na Globo por causa dele porque simplesmente não dá. Ele podia entender na época do Senna, mas as coisas mudaram.

Apesar disso, não tenho nada contra o cara não. Ele fez um rápido comentário sobre o caso do goleiro Bruno em um dos jogos que achei muito interessante. A maioria provavelmente não percebeu pois não foi um comentário direto, mas acho que foi em uma das semi-finais onde os jogadores de um time estavam consolando um adversário que havia perdido e o Galvão comentou que aquilo que era o exemplo que um jogador de futebol devia passar para as crianças e tudo mais. Emfim, achei legal.

sol em 16/07/2010 às 21:22

Sem contar as gafes que ele dá. Tem momentos que ele deve escutar 'Podia ter durmido sem essa, né Galvão?'

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