Copa do Mundo – você é brasileiro ou não é?!

Vem aí a Copa e alguns brasileiros já decidiram torcer contra. Torcer pra Argentina, é possível isso?

O time do Dunga não é lá essas coisas, mas confio na tal “coerência”, além do mais o todo vale mais que a soma das partes. E, acima de tudo, sou brasileiro. Time ruim, mas fazer o quê? É o que a gente tem e, estou torcendo pra isso, é o time que vai trazer a taça pra gente.

E tenho dito.

E a hipocrisia vos empregará

Seja um visionário você também. É só dizer que alguma coisa vai mudar drasticamente o mercado, que alguma tecnologia vem pra derrubar conceitos ou que depois de tal coisa nada vai ser como antes. Depois haja como o mestre do assunto, tuite com as hashtags certas, fale mal de alguém mais famoso que você e voi lá, sua fama está pronta. Você vai se passar por uma coisa que não é – inteligente, no caso – o que acaba sendo hipocrisia, mas se você vender a sua imagem direitinho até consegue um bom emprego. Vai ser difícil se sustentar nele, mas aí já é uma outra história.

No último Circuito 4×1 o Jonatas Abbott, da Dinamize, falou sobre o não fim da TV, traçando um paralelo com o não fim do e-mail. Ele mostrou revoltado uma matéria da Exame onde a repórter simplesmente surta, dizendo que o e-mail vai acabar. Olha a fórmula aí, pegou uma coisa já estabelecida e disse que aquilo ia acabar. Pegaram a TV e disseram que, com o crescimento da internet, ela ia acabar. Pegaram o e-mail e disseram que, com o crescimento dos IMs e redes sociais, ele ia acabar. Pegaram os jornais impressos e disseram que, com o crescimento dos blogs, eles iam acabar. Pegaram o mundo e disseram que, depois de 2012 ele ia acabar. Mania de Apocalipse devia ser o nome disso. E não Apocalipse como fim do mundo não, Apocalipse como revelação, afinal os visionários são esses seres escolhidos para portarem a mensagem de fim das coisas. E o portador da mensagem, amigo, às vezes se torna mais importante que a própria mensagem.

Se um cachorro morde alguém não é notícia, mas se alguém morde o cachorro… Façamos sensacionalismo então, vamos ser pit bulls sendo mordidos por crianças de seis anos, completamente inofensivas. Depois a gente faz um networking legal com os outros do canil, manda uns curriculos e monta nossa matilha feliz, mantendo os amigos perto e as crianças inofensivas mais perto ainda.

Despedidas não, só mudanças

Passei o natal no apartamento do meu pai que é o mesmo que eu morei dos 5 aos 10 anos, mais ou menos, e revivi uma coisa engraçada. Fui jogar o lixo fora e lembrei que odiava fazer isso quando era garoto. Nem por preguiça, mas por – pode zoar – medo. Acho que o corredor não era escuro, mas a sensação de dar as costas praquele quartinho da lixeira me dava um medo estranho. Sempre voltava correndo desembestado pelo corredor por causa disso. No natal então, ao invés de voltar correndo voltei rindo, rindo de mim mesmo e das babaquices da infância. Não que eu não tenha mais medos, eles só mudaram – um sinal claro de que, obviamente, eu também mudei.

Como todos sabem (os que me seguem no twitter pelo menos), estou em um momento de transição. Saí do meu antigo emprego pretendendo viver de freela e terminar a faculdade. Confesso, estou com medo. Estou confiante e tudo mais, mas… não nego, bate aquele medinho. É só mais uma mudança na minha vida, mas parece uma daquelas importantes. Aprendi muita coisa lá e agora sinto que chegou o momento de usar tudo de um outro jeito. Mais do meu jeito, sabe como é?

Este post é só sobre mim, a minha vida e uma leve impressão dela de um modo geral. Sou péssimo mantendo amizades, mas estou trabalhando nisso. Quero deixar um abraço gigante pra todos os que passaram na minha vida nesses três anos e deixar a promessa de pelo menos tentar não deixar a peteca cair.

Lembrei de um amigo meu da época da 5a série até o 3o ano. O cara era praticamente um irmão e nem sei onde ele tá. Bom, estou trabalhando nisso…


Só um esclarecimento importante: saí da antiga empresa como funcionário mas ainda atuo lá como consultor e freelancer. E um pedido de desculpa pelo post desabafo aqui, mas precisava compartilhar isso com vocês cinco ou seis aí do outro lado.

Criança de colo no colo – campanha pelo respeito ao assento alheio

Sou irremediavelmente reclamão. Reclamo daquelas pequenas coisas, coisa de velho, sabe? Sou um velho de 22 anos, é isso. Consciente disso já não sei se reclamo do que deveria reclamar mesmo ou de coisas tão pequenas que só incomodam a quem leva esse estilo alternativo de viver.

Pelo título do post deu pra sacar né? Os fuzilados de hoje são os espertos que não colocam as crianças de colo no colo. Realiza: você entra no ônibus, passa a roleta. Examina e acha um – um mesmo, o último – lugar vago. Vai andando, quase tropeça com a sua mochila pesada (que ninguém se oferece pra segurar até você chegar no trabalho) chega no lugar vazio e… ele não está vazio. Está ocupado por um projeto de gente que poderia muito bem estar no colo da mãe (ou pai, ou avó, seja lá quem for). E pior que o ônibus vai enchendo e o povo não se liga! Você tenta reclamar e o barraco acontece. O jeito é viajar em pé mesmo.

Ônibus vazio? Apenas ilusão de ótica.Ônibus vazio? Apenas ilusão de ótica.

Fica a campanha: Senhores passageiros portadores de criança de colo, favor colocá-las no colo. Grato.

O conceito de estratégia e os transportes públicos

O conceito de estratégia, em grego “strategía”, em latim “estrategia”… Cap. Nascimento em Tropa de Elite.

Estratégia. É disso que você precisa para não ser xingado no ônibus, no metrô, na barca ou no trem. Se você é newbie nos transportes (principalmente aqui no Rio) siga essa lista:

  • Se for andar de metrô descubra onde a porta abre. Essa vale ouro, principalmente na linha 2. Se você estiver do lado esquerdo e for descer em uma estação onde a porta abre do lado direito já sabe que não vai descer. Rolou comigo: precisei esperar umas 6 estações pra poder descer e voltar pra estação que eu queria ir.
  • Fique esperto na janela. Falar no celular com a janela aberta do lado direito do ônibus na Av. Pres. Vargas é pedir pra ser assaltado. Pedir não, suplicar. Idem para o banco que dá de frente para a porta de saída. As sementinhas do mal pulam dentro do ônibus, catam teu celular e você só vai poder (1) ficar com cara de ué e (2) começar a gritar histericamente “ladrão!”. Nenhuma das duas opções traz retorno.
  • Durma direitinho. Nada de ficar de um jeito que você pode babar no ombro do amiguinho do lado ou ficar com aquela bocona aberta suplicando pra um mosquito te sacanear. Outra coisa importante: nada de perder o ponto, hein.
    Cara dormindo no ônibusEm níveis avançados você pode até desenvolver novas técnicas.
  • Prepare-se para sair do transporte. Está chegando no ponto? Vai guardando suas coisinhas, segurando a mochilinha e você não vai precisar atropelar ninguém. Não existe nada mais chato que os apressados que estavam no meio do vagão do metrô e querem sair antes de todo mundo.
  • Malemolência na saculejada. Isso não se aprende de uma hora pra outra. Somente usuários pro dos transportes sabem como não parecer um boneco e quase cair em cima de outra pessoa quando o ônibus passa na Rodrigues Alves toda esburacada. Segurar sempre um dos ferros (sem trocadilhos, por favor) é importante, principalmente quando você não conhece o caminho.
  • Meta medo. A violência não está mole, portanto esteja (pelo menos aparentemente) do lado de lá da fronteira. Cara de mau mesmo, 06. Se for mulher aparente ser barraqueira. Nenhum bandido curte gritaria durante o assalto.
  • Esqueça o conceito de fila. Parece politicamente incorreto, mas não é. Se existe alguma aglomeração para entrar em um lugar acredite, não é fila. Empurre com jeitinho para não machucar ninguém mas vá sempre em frente.
Tropa de Elite - Cena da bandoleiraQuando for andar de ônibus não esqueça a bandoleira.

Um dia isso muda e você não vai precisar se preocupar com nada disso. Tem até dia marcado: o dia que o Cristo Redentor colocar o braço na cintura e perguntar “Como é que é?”.

Retrospectiva 2009

Esse ano, pela primeira vez, estou com vontade de assistir à Retrospectiva 2009.

Não foi um ano bom pra mim. Foi, com muita boa vontade, razoável e olhe lá. Se o programa fosse sobre a minha vida seria bem chato, com idas pro trabalho ouvindo rádio (BandNews FM, vejam como fico velho) e voltas num metrô apertado com o protagonista se perguntando se era aquilo ali mesmo que ele queria da vida. Não era. Talvez (re)vendo o que aconteceu em 2009 eu veja que pelo menos pro mundo foi um ano interessante.

Não sei como funciona esse programa, não sei se é dividido em meses ou em fatos ou ainda em categorias, tipo “Mortes importantes” e “Escândalos políticos”. De um jeito ou de outro tentei me lembrar o que marcou os noticiários em 2009 e fiz mentalmente uma pequena lista de coisas que eu queria parar de ouvir e não podia. A ordem de exposição é por ordem de aparição na minha lembrança e não por ordem de importância. Não que isso faça muita diferença.

O acidente com o avião da Air France foi o primeiro da lista. Fiz questão de esquecer aquele número do avião (airbus tralalá) que todo santo dia repetiam na minha cabeça, fosse no rádio, na televisão ou no trabalho. Teve o Lula falando que se a gente acha petróleo tão fundo como não acharíamos um avião daquele tamanho. Não achamos.

Teve a crise também. Uma ladainha sem fim, por sinal. O que me lembrou, não sei bem porque, de IPI. Como encheram o saco com IPI! Linha branca, carro, etc. Crise também lembra EUA, que me lembrou Obama que me lembrou que ele ganhou o Nobel da Paz. Deve passar isso na Retrospectiva.

Na categoria “Escândalos políticos” tem o Sarney empregando a família toda. Aliás o termo escândalo é até mal colocado, porque escândalo tem que causar espanto e roubalheira no Brasil não dá em nada – nem em espanto, pelo menos pra mim – faz muito tempo. Teve o caso do Arruda com dinheiro até lá onde o sol não bate (duvida?!) e que – adivinhem – até agora não deu em nada. Nem em panetone.

Nos obituários reinou Michael Jackson e fiquei me perguntando se vão lembrar do Lombardi, do Alborghetti e da Leila Lopes. Aliás eu só me lembrei que o Michael Jackson tinha morrido porque vi no comercial do programa. Teve mais alguém que eu não lembro, com certeza. Vou ficar espantado com esse programa, posso sentir isso.

Teve o cara que roubou não-sei-quem na frente de uma farmácia na Tijuca, não teve? Foi esse ano?! Nem me lembro. Coisas assim passam na Retrospetiva? Nardoni não foi esse ano, mas deve passar alguma coisa. Suzane von Rixksiewstofen idem e aquele cara que (dizem) traçava as pacientes que queriam inseminação artificial também.

Se eu continuar envelhecendo tanto quanto me senti envelhecido – não no corpo, mas na mente, se bem que no corpo… – no final do ano da graça de dois mil e dez estarei assistindo a São Silvestre.

Boas festas do Melancia – Repeteco

Ano passado fiz um post de Boas festas. Troquem 2008 por 2009, 2009 por 2010 e é o post desse ano também (tirando a parte da crise e da viagem do final do ano).

Fazendo um balanço do ano percebi que devia ter lido o que escrevi na véspera do Natal passado todo santo dia. Fiz muito pouco, progredi muito pouco ou quase nada e me encontrei menos ainda que o habitual.

Enfim, que venha 2010! Boas festas para todos e que o novo ano traga mudanças pra melhor na vida de todo mundo.

ps.: Talvez, quem sabe, ainda tenha mais um post no ano por aqui, vamos ver…

Estresse é preciso

Não, você não vai aprender a se livrar do estresse lendo este post. Aqui você vai aprender a ser ainda mais estressado! Dizer que você está estressado te dá glamour, te dá ares de pessoa importante.

Super-Homem cansadinhoTá cansadinho Super-Homem???

Confira:

  1. Durma tarde e acorde cedo. Faça isso porque você precisa, não porque você quer. Durmir pouco é fundamental pra acordar com aquele mal humor esperto.
    Dorminhoco no trabalhoNunca teve vontade de fazer isso? Sua vida é boa demais…
  2. Vá (e volte) de ônibus cheio pro trabalho. Se puder ir de metrô (cheio) melhor ainda. Um detalhe importante: desça no ponto mais perto do seu trabalho. Descer longe significaria ter que andar, e como andar é um exercício físico e exercícios físicos fazem bem pra saúde prefira descer pertinho do trabalho.
    Metrô lotadoAndar de metrô: uma aventura.
  3. Seja insatisfeito com sua vida profissional. Trabalhe com pessoas que você não gosta, com coisas que você não gosta, de jeitos que você não gosta ou tudo junto. O importante é não gostar.
  4. Alimente-se mal. Quanto mais vezes você puder não almoçar melhor. Dê preferência à salgados gordurosos com bastante ketchup e à noite é hora do miojão. Nunca coma verduras ou legumes. Eles devem sempre ser substituidos por alimentos que deixam o papel transparente.
    King Size Homer com BartO Homer vai além. Come coisas que deixam a parede transparente.
  5. Tome bastante café. Café é bom pra te deixar acordado e pra desenvolver aquela gastritezinha esperta também. Quando a dor no estômago vem ela traz junto o estresse que você precisa.
  6. Frustre-se. Prometa pra você mesmo que tudo irá mudar, que você vai começar a malhar e estudar, entrar em um curso, mas nunca faça nada disso. Viver frustrado é muito bom para aumentar seu estresse.
  7. Não reclame ou reclame demais. Um extremo ou outro, o meio termo nunca. Se você não reclamar aquilo vai ficar te corroendo por dentro, o que é ótimo para ficar estressado. Se reclamar demais vai afastar todo mundo de perto de você, e ficar sozinho com certeza te deixará estressado.
  8. Faça das suas coisas uma bagunça. Esconda de você mesmo absolutamente tudo. Cada hora coloque a mesma coisa em lugares diferentes. Não arquive nada em pastinhas, coisa de gente estressada tem que ficar é espalhada pelo chão.
    Quarto bagunçadoContinue praticando. Um dia você chega nesse nível.
  9. Nunca se separe do seu celular. Ele pode ser fonte infinita de estresse.
    Pregão da bolsa de valoresTranquilidade estampada na cara de todos.
  10. Assuma responsabilidades que você não pode cumprir. Dica de ouro. Sabe aquela horinha de dormir que você coloca a cabeça no travesseiro e fecha o olho?! Siga essa dica e a hora de dormir vai se transformar num pesadelo.
    MultitarefaEsse boneco tá rindo de que?

Testei a maioria delas e acredite, dão certo.

“De Volta para Casa” de John Grogan

No dia 5 de Agosto decidi participar da promoção de dia dos pais do @oleitorvoraz, no dia 10 saiu o resultado e o livro “De Volta Para Casa” era meu. Aliás, meu não, do meu pai. O livro chegou e ele fez questão que eu colocasse como dedicatória o que eu havia escrito na promoção, que tinha emocionado até o pessoal do leitor voraz. Fiz o que ele pediu, entreguei o livro e sinceramente achei que ele nem ia ler. “É um livro de historinha”, pensei, “não faz o estilo do coroa”. Dias depois ele me avisou que estava lendo o livro, mais alguns dias disse que estava gostando muito e depois de mais um tempo ele tinha terminado. Tinha até chorado no ônibus. Peraí, chorado no ônibus?! Era isso mesmo… Bem empolgado em me emprestar eu peguei o livro, que comecei a ler logo depois que terminei o “Start Up” que tinha comprado.

De Volta Para Casa - John GroganSempre gostei muito de ler e sempre li muito, bastante influenciado pelos hábitos da minha família. Quando criança meu quarto era uma espécie de biblioteca da família e conviver com aqueles livros todos me fez muito bem. Muitos livros me fizeram rir, pouquíssimos me feito gargalhar, mas acho que nunca tinha chorado lendo um livro. Esse me fez gargalhar – eu também estava no ônibus – e me fez chorar que nem uma criança – desta vez eu me preveni e estava em casa. Extremamente leve e envolvente consegui terminar o livro em uma ou duas semanas, o que – considerando meu tempo livre – é bem pouco tempo.

O livro conta a história de vida de John Grogan, autor de “Marley & Eu“, desde a infância até recentemente. Falar muito sobre o livro estragaria as suas surpresas e também não estou aqui pra isso. Quis escrever este artigo só pra recomendar o livro pros meus três ou quatro leitores.

Não sou fruto de uma família lá muito… linear, vamos dizer assim. Minha (breve) história de vida parece ser um pouco diferente do mais normal, mas não me queixo não, afinal é por isso que eu sou quem eu sou. Mas ver todos os conflitos do autor me fez criar uma identificação com ele. Me vi lutando as lutas dele, sabe?! E no final não pude deixar de chorar, do mesmo jeito que meu pai me contou. Acho que choramos por motivos diferentes, mas o que importa é que choramos. Eu sou o filho dele, mas ele não é só meu pai, é filho do pai dele também.

Hoje reli o que eu escrevi para ganhar a promoção. Consegui entender porque eu ganhei.


Este post não foi solicitado nem insinuado de forma alguma pela equipe do Leitor Voraz. Tampouco recebi qualquer coisa em troca desta publicação. Sou só um leitor bastante agradecido que acha que a mensagem contida no livro deve ser vista por todo mundo.

Soneto da desculpa esfarrapada

Desta vez escrevo um post em verso
Não para tomar o caminho inverso
Só queria voltar com algo diferente
Algo que fosse assim irreverente

Se o leitor me argue porque sou perverso
Porque sumi deste nosso universo
Digo: – De assunto estava carente
Não servia MJ nem gente doente

Mas voltei, com minha língua afiada
Escrevendo um soneto porcaria
Sem querer parecer poeta nem nada

Quem curte poesia desculpa a zombaria
Não quero que pensem que é palhaçada
Semana que vem tem tecnologia