Interpretação de textos

Sabe por que nas Igrejas é preciso alguém lá na frente explicando? Porque as pessoas são péssimas em interpretação de texto. E aqui toco em duas coisas bem sensíveis: burrice e religião.

Para susto de alguns tenho um lado religioso muito forte. Faço parte de uma Igreja. Uma Igreja Evangélica. Uma Igreja Evangélica – pasmem – sem fins lucrativos. E eu sou um evangélico que – pasmem novamente – penso. Pouco, mas penso. E uma das coisas que sempre me intrigou foi o fato de ter alguém lá na frente pra explicar uma coisa que está escrita, ali, pra todo mundo ver. Se me intrigou não intriga mais. A burrice, (meus irmãos!,) é minimizada nesse modelo.

E aqui tem dois caminhos: os que explicam a mensagem e os que explicam a mensagem vendendo tv a cabo. Isso aí, você leu direitinho, tv a cabo. Vou falar do primeiro, porque do segundo não vai dar tempo nem espaço. Um cara que vende tv a cabo dentro de uma Igreja dizendo que Cristo está abençoando merece um post separado. Vamos ao primeiro grupo.

A cena é aquela clássica: pessoas sentadas, um alguém falando. As pessoas sentadas, cristãs, que dizem conhecer a Bíblia e o alguém, que em geral realmente conhece a Bíblia. O ponto está aí, nos que estão sentados. Não estão vendo?! Eles dizem que conhecem, mas pede pra um deles explicar um versículo. Ih, meu amigo, se segura. Ou vem uma explicação decorada (ensinada pelo que estava falando na outra cena) ou uma massaroca de coisas sem sentido, chavões que ele aprendeu e nem sabe direito o que significa. Frases inteiras só com chavões! Manja catequização dos índios? Nesse modelo.

Generalizei, é verdade, tem muitos que sentam ali, escutam e absorvem uma mensagem de mundo melhor, de regra de vida. Mas os que saem dali com regra de vida pros outros, ah, não dá. E tudo isso por quê?! Falta de interpretação de texto. Há uma tendência a culpar quem estava ensinando, mas não sei não. Tenho minhas dúvidas de que é o único jeito que ele tem de passar adiante a coisa toda. Entender certas coisas não são fáceis, ao passo que fingir que entendeu é bem tranquilo.

Na Igreja que eu frequento chamam de “conhecimento secular” – é um dos chavões, abraço forte aos envolvidos -, mas lá falam que o conhecimento aqui de fora é importante sim pra entender o que acontece lá dentro. Se você lê bem você aprende melhor, entende melhor e por isso absorve mais.

E aqui não vai crítica não, vai é um apelo pra vocês que ficam sentados: leiam mais. Não só a Bíblia, mas outros livros. Recebo citações bíblicas em tudo quanto é rede social, mas com erros crassos de português. A linguagem da Bíblia é bem rebuscada, se você não entende nem as palavras mais simples quer dizer que entendeu a mensagem toda? Desculpem, mas fica difícil de acreditar.

Mas pra que era esse post? Era pra quem não sabe interpretar textos, mas se alguns deles chegou até aqui não entendeu nada mesmo.


Na verdade o cara lá na frente serve para mais coisa. Se fosse só todo mundo sentado, além de uma confusão danada na hora de escolher o que cantar, por exemplo, ia faltar alguém pra escolher quem falar primeiro e etc. Além, é óbvio, de se acreditar que as interpretações que vem de quem está lá na frente representam a interpretação que deve ser seguida por toda a Igreja.

E a hipocrisia vos empregará

Seja um visionário você também. É só dizer que alguma coisa vai mudar drasticamente o mercado, que alguma tecnologia vem pra derrubar conceitos ou que depois de tal coisa nada vai ser como antes. Depois haja como o mestre do assunto, tuite com as hashtags certas, fale mal de alguém mais famoso que você e voi lá, sua fama está pronta. Você vai se passar por uma coisa que não é – inteligente, no caso – o que acaba sendo hipocrisia, mas se você vender a sua imagem direitinho até consegue um bom emprego. Vai ser difícil se sustentar nele, mas aí já é uma outra história.

No último Circuito 4×1 o Jonatas Abbott, da Dinamize, falou sobre o não fim da TV, traçando um paralelo com o não fim do e-mail. Ele mostrou revoltado uma matéria da Exame onde a repórter simplesmente surta, dizendo que o e-mail vai acabar. Olha a fórmula aí, pegou uma coisa já estabelecida e disse que aquilo ia acabar. Pegaram a TV e disseram que, com o crescimento da internet, ela ia acabar. Pegaram o e-mail e disseram que, com o crescimento dos IMs e redes sociais, ele ia acabar. Pegaram os jornais impressos e disseram que, com o crescimento dos blogs, eles iam acabar. Pegaram o mundo e disseram que, depois de 2012 ele ia acabar. Mania de Apocalipse devia ser o nome disso. E não Apocalipse como fim do mundo não, Apocalipse como revelação, afinal os visionários são esses seres escolhidos para portarem a mensagem de fim das coisas. E o portador da mensagem, amigo, às vezes se torna mais importante que a própria mensagem.

Se um cachorro morde alguém não é notícia, mas se alguém morde o cachorro… Façamos sensacionalismo então, vamos ser pit bulls sendo mordidos por crianças de seis anos, completamente inofensivas. Depois a gente faz um networking legal com os outros do canil, manda uns curriculos e monta nossa matilha feliz, mantendo os amigos perto e as crianças inofensivas mais perto ainda.

Not For Dummies

Fui convidado a participar de um novo blog sobre desenvolvimento: o Not For Dummies. A proposta do blog não é falar do basicão, é ir além do Hello World. Os profissionais que colaboram lá são gente de renome no cenário tecnológico brasileiro, quiçá mundial! Vale a pena acompanhar.

Not for DummiesNot For Dummies: count(conteudo_do_blog, “Hello World”) = 0;

Minha intenção é postar aqui toda terça-feira e lá quinzenalmente às quintas-feiras.

Ficam logicamente suspensos aqui os posts sobre desenvolvimento (nunca foi o meu forte aqui mesmo).

Abraços e visitem!

Quanto cobrar em um freelance?

Quem nunca ficou em dúvida sobre quanto cobrar por um trabalho que atire a primeira pedra. O medo de dar um preço absurdamente alto ou absurdamente baixo é muito comum.

O Michel Lent do ViuIsso fez um artigo excelente sobre o assunto no WebInsider e depois de ler o que ele escreveu você não vai precisar ler mais nada sobre o assunto.

Basicamente a fórmula é: preço da sua hora * quantidade de horas previstas. Ficou caro? Não desista, você pode propor para o cliente uma redução de funcionalidades no projeto e assim o preço diminui sem onerar ninguém.

Você tem que aprender uma linguagem nova e não é Python, nem Ruby

Gerentês: quanto mais você souber melhor.

As pessoas tem ao redor de si uma bolha imaginária formada pelo jeito de falar, gestos característicos e gostos de cada uma delas. Para nos comunicarmos melhor com uma pessoa podemos usar técnicas de mimetismo onde nos expressamos do mesmo jeito que nosso interlocutor, usando as mesmas palavras, mesma intonação, mesma posição corporal e aos poucos vamos enviando sinais para, se necessário, mudar o comportamento do outro.

Lidar com pessoas completamente diferentes é desafio para todos os profissionais, mas se você conhecer “o jargão” dos profissionais de cada área o caminho fica menos pior e com certeza um caminho que você quer que seja limpo, largo e curto é a comunicação com o seu gerente. Outra certeza é a de que seu gerente fala um idioma um pouco diferente dos demais: o “gerentês”.

Dominar expressões como briefing, prospect, força tarefa e workaround é essencial para uma boa comunicação com seu gerente. Por outro lado usar linguagem técnica demais (nerdês) com quem não conhece não é um bom negócio: a pessoa fica confusa, por vezes fica envergonhada de não saber o que você está falando e a comunicação vai pro espaço.

Na próxima vez que for conversar com seu gerente pense nisso: Em Roma, como os romanos.