Despedidas não, só mudanças

Passei o natal no apartamento do meu pai que é o mesmo que eu morei dos 5 aos 10 anos, mais ou menos, e revivi uma coisa engraçada. Fui jogar o lixo fora e lembrei que odiava fazer isso quando era garoto. Nem por preguiça, mas por – pode zoar – medo. Acho que o corredor não era escuro, mas a sensação de dar as costas praquele quartinho da lixeira me dava um medo estranho. Sempre voltava correndo desembestado pelo corredor por causa disso. No natal então, ao invés de voltar correndo voltei rindo, rindo de mim mesmo e das babaquices da infância. Não que eu não tenha mais medos, eles só mudaram – um sinal claro de que, obviamente, eu também mudei.

Como todos sabem (os que me seguem no twitter pelo menos), estou em um momento de transição. Saí do meu antigo emprego pretendendo viver de freela e terminar a faculdade. Confesso, estou com medo. Estou confiante e tudo mais, mas… não nego, bate aquele medinho. É só mais uma mudança na minha vida, mas parece uma daquelas importantes. Aprendi muita coisa lá e agora sinto que chegou o momento de usar tudo de um outro jeito. Mais do meu jeito, sabe como é?

Este post é só sobre mim, a minha vida e uma leve impressão dela de um modo geral. Sou péssimo mantendo amizades, mas estou trabalhando nisso. Quero deixar um abraço gigante pra todos os que passaram na minha vida nesses três anos e deixar a promessa de pelo menos tentar não deixar a peteca cair.

Lembrei de um amigo meu da época da 5a série até o 3o ano. O cara era praticamente um irmão e nem sei onde ele tá. Bom, estou trabalhando nisso…


Só um esclarecimento importante: saí da antiga empresa como funcionário mas ainda atuo lá como consultor e freelancer. E um pedido de desculpa pelo post desabafo aqui, mas precisava compartilhar isso com vocês cinco ou seis aí do outro lado.

09/02/10 – Dia da Internet Segura

Você pode não saber mas hoje é o Dia da Internet Segura, uma campanha que começou na Europa e foi abraçada por outros países como o Brasil. A iniciativa rola desde 2003 e em 2009 já contava com 65 países incluindo o Brasil, que vai pra sua terceira participação.

Dia da Internet Segura - 2010Banner de divulgação da Campanha.

Numa época onde todo mundo fala de tudo, coloca foto de tudo, vídeo de tudo, enfim tudo de tudo, o tema deste ano será Pense Antes de Postar. Cuidados idiotas que todo mundo já devia estar careca de saber como por exemplo a correta utilização da privacidade das Redes Sociais (coisas que só os seus amigos podem saber, e etc.), não postar fotos comprometedoras (suas ou da sua vizinha gostosa que passeia na janela só de calcinha), não falar da vida do seu filho de 10 anos por aí – alertando seu filho de 10 anos a fazer a mesma coisa – e por aí vai, serão discutidos nesse dia.

Infelizmente, pelo menos pra mim que estou no Rio, as principais atividades no Brasil rolam em São Paulo, mas com transmissão ao vivo no site http://www.internetsegura.br. A lista completa de eventos contempla os estados da Paraíba, Minas Gerais, Acre – pasmem, a internet chegou lá – e o Rio de Janeiro, com uma oficina de educadores que o site não diz onde vai ser.

Esse tipo de coisa é até bacana, mas não pode ficar num dia só. Chega em Junho… pff, em Junho! Depois do Carnaval o povo já tá divulgando a vida aí a torto e a direito. Calma lá minha gente, Pensem Antes de Postar, por favor.

Abaixo o vídeo de divulgação da campanha, com o mousezinho fazendo M pra ilustrar.

Na internet nada se cria, tudo se copia – que pena

Voltei a tentar ler meus feeds no Google Reader. Invariavelmente vou direto numa tag de nome “Humor”, onde estão os blogs de tirinhas e de posts engraçados, só pra relaxar um pouco a minha mente,  mas uma coisa me espantou – sim, eu sei que sou garoto por ficar espantado com isso – vários posts repetidos em blogs diferentes. Não eram poucos não, minha gente, eram vários.

Antes de criar este blog eu tinha dúvidas de como sustentá-lo. Não queria ser só mais um, queria ter uma coisa diferente e fazer um blog diferente é bem difícil (não consegui até hoje), mas alguém me contou uma teoria interessante: a dos açougues na mesma rua. Calma que eu explico: falei que queria fazer um blog de desenvolvimento, mas já existiam vários então achava que tudo ficava meio sem propósito e alguém me disse “Mas agora não podem ter dois açougues na mesma rua?”. Depois disso decidi tentar.

O blog não é de desenvolvimento, ou pelo menos não só disso, mas eu tento criar alguma coisa que você não vai ver em nenhum outro lugar. Uma opinião – a minha – sobre fatos do cotidiano, uma ou outra visão engraçada, mas tudo original. Pode não ser bom – nem engraçado, admito -, mas é original.

Se na internet nada se cria tudo se copia estou no lugar errado. Parodiando o Leão Lobo (a que ponto chegamos): Originalidade já.

Criança de colo no colo – campanha pelo respeito ao assento alheio

Sou irremediavelmente reclamão. Reclamo daquelas pequenas coisas, coisa de velho, sabe? Sou um velho de 22 anos, é isso. Consciente disso já não sei se reclamo do que deveria reclamar mesmo ou de coisas tão pequenas que só incomodam a quem leva esse estilo alternativo de viver.

Pelo título do post deu pra sacar né? Os fuzilados de hoje são os espertos que não colocam as crianças de colo no colo. Realiza: você entra no ônibus, passa a roleta. Examina e acha um – um mesmo, o último – lugar vago. Vai andando, quase tropeça com a sua mochila pesada (que ninguém se oferece pra segurar até você chegar no trabalho) chega no lugar vazio e… ele não está vazio. Está ocupado por um projeto de gente que poderia muito bem estar no colo da mãe (ou pai, ou avó, seja lá quem for). E pior que o ônibus vai enchendo e o povo não se liga! Você tenta reclamar e o barraco acontece. O jeito é viajar em pé mesmo.

Ônibus vazio? Apenas ilusão de ótica.Ônibus vazio? Apenas ilusão de ótica.

Fica a campanha: Senhores passageiros portadores de criança de colo, favor colocá-las no colo. Grato.

O conceito de estratégia e os transportes públicos

O conceito de estratégia, em grego “strategía”, em latim “estrategia”… Cap. Nascimento em Tropa de Elite.

Estratégia. É disso que você precisa para não ser xingado no ônibus, no metrô, na barca ou no trem. Se você é newbie nos transportes (principalmente aqui no Rio) siga essa lista:

  • Se for andar de metrô descubra onde a porta abre. Essa vale ouro, principalmente na linha 2. Se você estiver do lado esquerdo e for descer em uma estação onde a porta abre do lado direito já sabe que não vai descer. Rolou comigo: precisei esperar umas 6 estações pra poder descer e voltar pra estação que eu queria ir.
  • Fique esperto na janela. Falar no celular com a janela aberta do lado direito do ônibus na Av. Pres. Vargas é pedir pra ser assaltado. Pedir não, suplicar. Idem para o banco que dá de frente para a porta de saída. As sementinhas do mal pulam dentro do ônibus, catam teu celular e você só vai poder (1) ficar com cara de ué e (2) começar a gritar histericamente “ladrão!”. Nenhuma das duas opções traz retorno.
  • Durma direitinho. Nada de ficar de um jeito que você pode babar no ombro do amiguinho do lado ou ficar com aquela bocona aberta suplicando pra um mosquito te sacanear. Outra coisa importante: nada de perder o ponto, hein.
    Cara dormindo no ônibusEm níveis avançados você pode até desenvolver novas técnicas.
  • Prepare-se para sair do transporte. Está chegando no ponto? Vai guardando suas coisinhas, segurando a mochilinha e você não vai precisar atropelar ninguém. Não existe nada mais chato que os apressados que estavam no meio do vagão do metrô e querem sair antes de todo mundo.
  • Malemolência na saculejada. Isso não se aprende de uma hora pra outra. Somente usuários pro dos transportes sabem como não parecer um boneco e quase cair em cima de outra pessoa quando o ônibus passa na Rodrigues Alves toda esburacada. Segurar sempre um dos ferros (sem trocadilhos, por favor) é importante, principalmente quando você não conhece o caminho.
  • Meta medo. A violência não está mole, portanto esteja (pelo menos aparentemente) do lado de lá da fronteira. Cara de mau mesmo, 06. Se for mulher aparente ser barraqueira. Nenhum bandido curte gritaria durante o assalto.
  • Esqueça o conceito de fila. Parece politicamente incorreto, mas não é. Se existe alguma aglomeração para entrar em um lugar acredite, não é fila. Empurre com jeitinho para não machucar ninguém mas vá sempre em frente.
Tropa de Elite - Cena da bandoleiraQuando for andar de ônibus não esqueça a bandoleira.

Um dia isso muda e você não vai precisar se preocupar com nada disso. Tem até dia marcado: o dia que o Cristo Redentor colocar o braço na cintura e perguntar “Como é que é?”.

Boas festas do Melancia – Repeteco

Ano passado fiz um post de Boas festas. Troquem 2008 por 2009, 2009 por 2010 e é o post desse ano também (tirando a parte da crise e da viagem do final do ano).

Fazendo um balanço do ano percebi que devia ter lido o que escrevi na véspera do Natal passado todo santo dia. Fiz muito pouco, progredi muito pouco ou quase nada e me encontrei menos ainda que o habitual.

Enfim, que venha 2010! Boas festas para todos e que o novo ano traga mudanças pra melhor na vida de todo mundo.

ps.: Talvez, quem sabe, ainda tenha mais um post no ano por aqui, vamos ver…

Um post ébrio ou como nascem os romances

Acabo de voltar da reunião de um clube há pouco inaugurado. Não sóbrio também não ébrio, como diria Vicente Celestino, volto a escrever neste mal fadado blog, desta vez com uma intenção de apenas compartilhar com meu fiel leitor uma descoberta assaz instigante.

Todos sabem que, apesar de não fazê-lo muito bem, gosto muito de escrever e até viveria disso se Deus tivesse me reservado algum dom nesse sentido na sua sábia distribuição de cotas. Outro dia então me perguntei, como quem não quer nada, se poderia fazer um romance e descobri simplesmente que não saberia como fazê-lo. Acabaria escrevendo uma biografia disfarçada mudando só nomes e lugares. E eis que outro dia, talvez hoje mesmo ou ontem pela manhã percebi (ainda completamente sóbrio) como nascem os romances.

Leste Dom Casmurro, caro leitor? No final, quando Bentinho faz breve elucubração sobre seu filho, Machado de Assis solta uma pista. Preste atenção, meu nobre, é sutil a coisa. Diz ele que (em outras palavras) talvez seu filho seja só uma infeliz coincidência da soma das possíveis características físicas de um ser humano. Nariz grande ou pequeno, alto ou baixo, etc. Eis aí, eis aí a pérola! Os personagens são exatamente isto! Uma soma das possíveis características, não físicas mas emocionais das pessoas.

O ilustríssimo leitor há de me perdoar. O que lhe parece inteiramente banal pra mim foi uma espantosa descoberta. Com a totalidade de minhas próprias características trocando uma ou outra pelas características quiçá de um mendigo posso ter uma pessoa inteiramente nova, que talvez até exista em outro estado ou país. E juntando duas ou três dessas invenções… voilá! Nasce um romance!

Desculpe-me meu caro, não quis aborrecê-lo, mas precisava compartilhar dessa descoberta com alguém e se não com quem além daqueles que leêm esse romance diário que escrevo por aqui. As favas com a concordância ou a crase, o que me importa agora é compartilhar com os amigos as coisas boas que recém descobri. E que venham os romances!

Simplificação ou emburrecimento?

Acredite, este post não vai fazer a menor diferença na sua vida. É só um daqueles assuntos que não levam a lugar nenhum e que seriam mais bem aproveitados numa mesa de bar do que num post de blog. Ainda está aí? Vai perder seu tempo hein…

Se alguém pedir, de bate pronto, um ícone da literatura nacional quem você diria? E da literatura internacional? Pois é, não foi ninguém contemporâneo. Se foi não adianta nada, porque como nós não estamos numa mesa de bar a sua opinião não vai entrar aqui, pelo menos não no corpo do artigo (nos comentários, vá lá). Pode ser que alguém diga que é por falta de afastamento histórico, mas tenho outro palpite, estamos emburrecendo a língua. Não a sua língua – se estivéssemos num bar alguém faria essa piada, com certeza – me refiro a língua portuguesa.

O que vejo de dicas para escrita na internet é sempre a mesma coisa: simplificação do texto, nivelamento por baixo e objetividade. Se uma frase não atinge o usuário ela deve ser reescrita. Tudo bem, é compreensível que seja assim, mas os impressos vão seguindo o mesmo modelo. Os livros de hoje em dia serão equiparados com os clássicos do passado? Duvido. Os clássicos de hoje (reconhecidos tardiamente daqui a 30, 40 anos) não serão tão bons quanto os de antes. E os que vierem depois deles – o que será de nós?! – serão piores ainda.

Estou reelendo Lolita (do Nabokov), com uma tradução bem rebuscada. É um livro que 1) não tem uma história fácil de digerir e 2) é escrito num nível de detalhes e metáforas absurdo. Metáforas como aquelas não funcionariam na internet e vão acabar não sendo mais usadas por ninguém. Essa perda não é simplificação, é emburrecimento. Humbert Humbert, o Adjetivado, não passará de uma lembrança remota do uso já inadequado das palavras.

Que fique claro que não me refiro aos enredos. Existem histórias boas hoje sim, mas aquela brincadeira com as palavras de antigamente vai sumindo. Não existem mais entrelinhas, o texto está ali, sem graça, sem galanteio.

Não tenho talento pra escrever, mas se tivesse viveria disso com prazer. Penso nos que tem esse dom, no que será daqueles que seriam os Nabokov de hoje em dia. Pense nesse post como uma bandeira em defesa dos talentos que não serão aproveitados – na mesa de bar o nível etílico estaria me fazendo berrar uma coisa assim.

Uma coisa pra mim é certa: fosse Machado de Assis webwriter com certeza estaria tomando bronca a uma hora dessas.

Estatuto da Igualdade Racial

Foi aprovado na câmara há pouco tempo atrás o Estatuto da Igualdade Racial, mais um movimento errado para consertar o preconceito no Brasil.

A proposta é tão ridícula e sem nexo, expõe tanto os negros, que se eu fosse negro ficaria envergonhado. O estatuto define “Desigualdade racial” como “Todas as situações injustificadas de diferenciação de acesso e oportunidades em virtude da raça, descendência ou origem nacional”. Num país como o Brasil é fato que não vai funcionar como deveria. Num país como o Brasil, onde os julgamentos são feitos pelas perspectivas mais estranhas possíveis, uma coisa assim não deveria nem ser proposta. “População Negra é o conjunto de pessoas que se autodeclaram negras ou pardas”, definição que não poderia ser diferente, chega a irritar, afinal eu sou negro. Não sou?! Quem é você pra dizer se sou negro ou não?! Sou negro sim e quero ser protegido por um estatuto que simplesmente isola um determinado grupo e confere à eles determinadas regalias.

As cotas nas universidades felizmente ficaram de fora, mas as cotas nos partidos políticos não. Na UERJ 20% das vagas são destinadas à negros, enquanto os partidos políticos devem ter 10% de candidatos negros. Se a educação pública é uma desgraça que se ajeite a educação pública, enquanto isso adota-se como medida paliativa cota para alunos de escolas públicas, mas o que tem raça a ver com isso?

Algumas coisas ficaram de fora, como “cota para negros em televisão e filmes” e “exigência de o SUS identificar pacientes no atendimento pela raça“. Acreditem, alguém algum dia achou que isso era fazer igualdade.

E que não se venha com o discurso hipócrita de sempre, dizendo que os negros fizeram muito pelo país e, uma vez que foram historicamente massacrados pelos brancos, eles merecem justiça. Isso não é justiça, isso é preconceito, é separação racial. Ao invés de pregar a igualdade estamos ressaltando as diferenças. Eu não sou da elite branca, considerar isso é ter preconceito e, me desculpem a franqueza, mas é ser extremamente babaca.

I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character. Martin Luther King, Jr.

Livre tradução: Eu sonho que um dia meus quatro filhos viverão numa nação onde eles não serão julgados pela cor, mas pelo seu caráter. Sorte dos filhos deles não terem nascido no Brasil.

Notícia completa no g1: http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1301785-5598,00.html

Internet força e internet arte

Antes havia o futebol arte. Dribles do Garrincha, gols do Pelé e etc. formavam uma imagem do futebol bem diferente da atual, caracterizada pela técnica e força física dos jogadores – o futebol força. A divisão arte/força não se restringiu só ao futebol e se expandiu para todas as áreas. Os desfiles de escola de samba, por exemplo. Se antes era tudo arte, inovação e mensagens bem trabalhadas hoje existe o “desfile técnico”. Até roubar antigamente era mais difícil. A habilidade dos batedores de carteira deu lugar à força bruta usada hoje pelos traficantes.

O surgimento de regras, técnicas, manuais e coisas do gênero contribuíram pra essa mudança. O ”assim dá certo” é aplicado em várias (pra não dizer em todas) as áreas, o que tem aspectos bem positivos, mas tira um certo brilho e intimida a inovação. Tudo vira uma linha de produção, com coisas iguais, repetidas, tediosas, que até cumprem o objetivo, mas fazem só isso.

A internet é um exemplo. Antes o empirismo era tudo, não havia regras de usabilidade, nem Nielsen, nem ninguém. Muita gente mandava mal, mas alguns criaram conceitos. Vieram os manuais de usabilidade e as coisas mudaram. Sites que vão só no “assim dá certo” de fato dão certo, mas raramente inovam. Fazem um desfile técnico, marcam gol sem driblar.

Jogar as diretrizes de usabilidade do Nielsen no lixo? Com certeza não. Mas novos conceitos ainda são possíveis e precisam ser inventados. O mundo não é estático e a internet é ainda mais dinâmica que tudo. Arriscar uma inovação e criar conceitos novos, simples mas revolucionários, são os passos dos gênios em todas as áreas.