Versão Brasileira

Demorei muito pra voltar a postar pelos mesmos motivos de sempre: falta de assunto e falta de tempo. Pra falta de tempo até dá-se um jeito, mas pra falta de assunto não tem como. O Melancia nunca teve tema certo, sempre falei sobre qualquer coisa, mas daí a falar qualquer coisa de qualquer coisa, assim sem critério nenhum, sei lá, não consigo.

Uma das minhas inspirações pra escrever é o @bighi do Tomate Cru, que também estava parado há muito tempo e eis que ele volta com este post. Reclamar, taí uma coisa que eu sei fazer bem, tenho talento e muita experiência, mas reclamar do quê? Depois deste post achei a resposta que precisava. Logo no primeiro parágrafo ele fala de uma das minhas maiores broncas: legendagem mal feita.

Existem três jeitos de se ver um filme, série e etc. em outra língua: no original puro, se garantindo no seu conhecimento no idioma pra entender; legendado e dublado. Nos dois últimos jeitos você se rende a uma “versão” das coisas. Existem milhares de regionalismos nos filmes e traduzi-los nem sempre é tão fácil como parece. Milhões de trocadilhos idiotas são sacrificados porque simplesmente não fazem o menor sentido traduzidos. Nunca vou me esquecer da dublagem de um filme do Batman mais antigo, onde alguém pergunta pro Mr. Freeze “Why are you so blue?” (blue em inglês pode ser tanto azul quanto triste, deprimido), fazendo um trocadilho com a palavra e os imbecis traduziram simplesmente “Por que você está tão azul?”. Gente, aquilo não fez o menor sentido pra quem não entende nada de inglês!

Assistindo a uma entrevista sobre dublagem outro dia ouvi de um dos principais dubladores do Brasil uma frase genial: no começo você escuta versão brasileira e não imitação americana. Nas obras bem traduzidas os regionalismos ou são explicados ou são trocados por coisas que façam sentido (exemplo disso são as tirinhas do Cyanide & Happiness traduzidas). Apesar de normalmente preferir a versão legendada, eu gosto de filme bem dublado. Mudança de Hábito, por exemplo, prefiro assistir dublado. O original é bom demais, mas o dublado é ainda mais engraçado. Animações também prefiro a versão dublada, fico sempre com a impressão de que fizeram direitinho.

CSI: Miami - Horatio e os mineiros chilenosExemplo de coisa difícil de traduzir. Mine aí é um trocadilho de “mina” e o prazer é todo “meu”.

O Guilherme Briggs, dublador do Freakazoid, do Brendan Fraser, Denzel Washington, Buzz Lightyear e mais um monte de personagem, quando dublava o Freakazoid brincava com coisas que a gente conheceria, como a voz do Silvio Santos, piada de português e não com piadas que o David Letterman faria! Além disso ele conseguiu criar uma versão do personagem que é melhor do que a do dublador original.

Agora entramos numa outra fase das coisas: se antes a legendagem simplesmente podia ser melhor, hoje ela está horrível! Assistindo Os Mercenários no cinema fiquei revoltado. Alteraram o sentido de várias falas mudando o contexto todo em determinadas cenas, e tudo isso sem a menor necessidade! O filme já é uma porcaria, mal legendado ficou ainda pior.

Na televisão, principalmente nos canais fechados, o problema é outro: falta de sincronia. Outro dia vi um seriado (Cake Boss, no Liv) com falas atrasadas em sete segundos. Quem não ouve inglês pelo menos, não estava entendendo nada. Soma-se a isso traduções sem capricho e sem a menor veia cômica e o que acontece é gente rindo demais de uma coisa enquanto tem gente que não viu a menor graça na cena e passa a achar o seriado uma bosta.

Na entrevista que falei lá em cima fiquei sabendo que os americanos consideram nossa dublagem uma das melhores do mundo. Não devem ter assistido Two and a Half Men no SBT e House na Record.

Timidez e o “Alô Paris Hilton”

Sou tímido. Tem algumas pessoas que não acreditam, mas sou bastante tímido, daquele tipo que todo mundo acha nojento até ter a primeira conversa. Até converso direitinho, sei que sou engraçado, mas morro de vergonha de puxar papo com alguém e, sei lá, parecer idiota.

Minha timidez tem uma consequência inusitada: não participo de algumas promoções. A última que não participaria é essa “Alô Paris Hilton”. Promoções de um modo geral já me assustam, a ideia de aparecer num comercial de televisão porque ganhei alguma coisa (tipo aquelas das raspadinhas) não me agrada, mas de promoções que dão a oportunidade “de ouro” de conhecer um artista passo longe.

Paris Hilton pra lá de trêbadaEssa é a mulher que o felizardo vai conhecer.

Fico imaginando a cena constrangedora e bizarra que vai acontecer com o ganhador disso aí. O cara felizão porque ganhou o smartphone e vai conhecer a Paris Hilton. Aí chega lá, e primeiro, deve ter um tradutor, então você fala olhando na cara dela ou do tradutor? Segundo, eu não sei nada da Paris Hilton, só que ela é bem rica e fez um reality show que não sei o nome. Rola um “oi”, um “oi, tudo bem?”, um “tudo bem e você”, um “tudo” e… e mais nada, que assunto você teria com a Paris Hilton?! “É legal ser tão patricinha?”, “Po, só queria o smartphone, a gente pode jantar e depois ir cada um pra um lado?”, ou alguém está participando da promoção achando que vai jantar com a Paris Hilton e depois vai pra balada com ela pagando de bonzão de braço dado e tudo? Não né?!

Sou um pessimista nato, o que me faz tentar pensar em tudo o que de ruim pode acontecer, inclusive em conversas com outras pessoas. Perguntar demais e passar por chato, perguntar de menos e passar de indiferente, esse tipo de coisa. E aquele silêncio no meio da conversa? Aquilo mata. Aí você sorri pra quebrar o gelo e acaba fazendo uma cara de mongol. Vai de chato pra retardado. Fala mal de alguma coisa que a pessoa ama, ah, tem tanta coisa que pode dar errado que prefiro ficar calado.

Jim Carey e Michael CeraJim Carey e Michael Cera. Exemplos natos de cara de mongol (alguém vai dizer que pareço com os dois).

Sou tímido, mas não sou sozinho no mundo, que fique claro. Tem gente que crio afinidade, acontece sei lá como, mas acho que não seria o caso da Paris Hilton. A não ser que rolasse muita Devassa antes…