Estatuto da Igualdade Racial

Foi aprovado na câmara há pouco tempo atrás o Estatuto da Igualdade Racial, mais um movimento errado para consertar o preconceito no Brasil.

A proposta é tão ridícula e sem nexo, expõe tanto os negros, que se eu fosse negro ficaria envergonhado. O estatuto define “Desigualdade racial” como “Todas as situações injustificadas de diferenciação de acesso e oportunidades em virtude da raça, descendência ou origem nacional”. Num país como o Brasil é fato que não vai funcionar como deveria. Num país como o Brasil, onde os julgamentos são feitos pelas perspectivas mais estranhas possíveis, uma coisa assim não deveria nem ser proposta. “População Negra é o conjunto de pessoas que se autodeclaram negras ou pardas”, definição que não poderia ser diferente, chega a irritar, afinal eu sou negro. Não sou?! Quem é você pra dizer se sou negro ou não?! Sou negro sim e quero ser protegido por um estatuto que simplesmente isola um determinado grupo e confere à eles determinadas regalias.

As cotas nas universidades felizmente ficaram de fora, mas as cotas nos partidos políticos não. Na UERJ 20% das vagas são destinadas à negros, enquanto os partidos políticos devem ter 10% de candidatos negros. Se a educação pública é uma desgraça que se ajeite a educação pública, enquanto isso adota-se como medida paliativa cota para alunos de escolas públicas, mas o que tem raça a ver com isso?

Algumas coisas ficaram de fora, como “cota para negros em televisão e filmes” e “exigência de o SUS identificar pacientes no atendimento pela raça“. Acreditem, alguém algum dia achou que isso era fazer igualdade.

E que não se venha com o discurso hipócrita de sempre, dizendo que os negros fizeram muito pelo país e, uma vez que foram historicamente massacrados pelos brancos, eles merecem justiça. Isso não é justiça, isso é preconceito, é separação racial. Ao invés de pregar a igualdade estamos ressaltando as diferenças. Eu não sou da elite branca, considerar isso é ter preconceito e, me desculpem a franqueza, mas é ser extremamente babaca.

I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character. Martin Luther King, Jr.

Livre tradução: Eu sonho que um dia meus quatro filhos viverão numa nação onde eles não serão julgados pela cor, mas pelo seu caráter. Sorte dos filhos deles não terem nascido no Brasil.

Notícia completa no g1: http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1301785-5598,00.html

A confusão no show de funk do Campus Party

Lembram da história do Carlinhos Brown no Rock in Rio há alguns anos atrás? Pois é, a escolha errada de artistas deu em confusão de novo, desta vez no Campus Party, a reunião dos nerds que está acontecendo em São Paulo.

Não pretendo escrever muito sobre isso, mas vão alguns esclarecimentos:

  1. Funk É música. Você pode até odiar, mas não é o fato de você odiar um estilo que o faz deixar de ser música. Toda forma organizada de ritmo e som é música e funk tem muito ritmo e som. Pode não ter as melhores letras, mas brega também não tem e nem por isso o Reginaldo Rossi deixa de ser músico.
  2. Cantores de funk SÃO artistas. Raciocine comigo: se funk é música e música é arte, logo quem vive de cantar funk é artista. Não confunda o seu gosto pessoal com definições básicas.
  3. Respeito é fundamental em qualquer lugar e ocasião. Vaiar o artista não é incomum (e em certas ocasiões é até saudável), mas no caso ocorreram alguns exageros medonhos. O carinha com acessório do firefox na cabeça (o tal que aparece em todos os vídeos feitos) é, simplesmente, um boçal. Não é o tipo de atitude que as pessoas admiram.
  4. Falta de ‘amor’ causa problemas. Esse aí foi o consenso no twitter, pelo menos. O que era pra ser bem-humorado não foi levado na esportiva pelo pessoal.

Mais você confere nos vídeos aqui embaixo e nesse artigo que tem mais detalhes (o “De Leve” é de Niterói!).

Ouça aqui a música da discórdia.