Suzana Vieira, Peter Lindbergh e a beleza irreal

Algumas transformações de comportamento evoluem ao ponto de chegar ao absurdo e depois vão involuindo para se adequar à realidade. A supervalorização da beleza parece ser uma delas.

O Ruy Castro, comentarista na BandNews FM, falou sobre uma espécie de protesto lançado pelo fotógrafo Peter Lindbergh: a revista Elle, na França, lançou na edição de Abril várias capas com famosas (Monica Belucci inclusive) sem maquiagem.

Revista Elle francesa - Eva Herzigova e Monica BelucciCapas da Elle – Herzigova e Belucci por Peter Lindbergh – sem maquiagem

Vendo uma notícia dessas como não lembrar de Suzana Vieira?

Suzana Vieira - com e sem photoshopSuzana Vieira: um dos absurdos nos retoques digitais.

Música Clássica, Música Erudita e um pouco de orquestras

Como muitos sabem, entre uma das coisas que eu já fiz na vida está tocar violino. Com isso pude conhecer o universo das orquestras e da música erudita e esse artigo é para esclarecer um pouco desse mundinho pra vocês.

O primeiro ponto é o nome errado. Música clássica existe, mas nem toda música de concerto é clássica. Explico: a música, assim como a pintura, literatura e artes em geral é dividida em fases, etapas com características próprias. Mas Elia, música clássica é música clássica, com violino e aqueles outros instrumentos, não é não? Não. Aleluia, aquela mesma que toca quando acontece alguma coisa que demorou um tempão pra acontecer, não é música clássica, é música barroca. Mozart sim é clássico. Beethoven não é clássico, é e romantico. Portanto quando for falar de música de concerto chame ou de música erudita ou de música de concerto, porque a música pode ou não ser clássica.

Do parágrafo anterior uma outra dúvida comum: Aleluia, ou Hallellujah, faz parte de uma obra maior, um oratório chamado “O Messias” de Handel, Haendel, ou Händel (depende do lugar, mas sempre se fala Réndel), que, como eu disse antes, faz parte do período barroco.

Se você está indo num concerto pela primeira vez uma dica: espere os outros baterem palma primeiro. Isso porque algumas obras tem vários movimentos, ou “pedaços”, e não se bate palma no final de cada uma e sim no final da peça toda. Na afobação você corre o risco de bater palma sozinho, entre um movimento e outro.

O nome da “varinha do maestro” é batuta e não baqueta. O líder da orquestra, que a representa até no cumprimento do maestro, é chamado de spala (ombro em italiano) e é o líder dos primeiros violinos. Primeiros violinos porque existem os segundos, e assim como as violas, os violoncelos, etc., eles são naipes da orquestra. Naipes são os grupos formados pelos instrumentos e, embora não seja impossível, o natural é que os únicos instrumentos iguais que formam naipes diferentes são os violinos mesmo (às vezes existem dois ou mais naipes dos outros instrumentos também, depende da vontade do compositor). Ah, o nome daquilo que passa no violino não é vara tá?! É arco! E cada ida pra cima ou pra baixo daquilo é uma arcada. Como às vezes (normalmente é assim) os primeiros violinos tem melodias diferentes do segundo as arcadas podem ficar diferentes em alguns trechos, embora seja serviço dos líderes dos naipes deixa-las o mais parecida possível. Os violinos grandes, que ficam entre os segundos e os violoncelos se chamam “violas” e não “violinos grandes”. E aqueles que ficam entre as pernas do músico são os violoncelos, ou cellos (tchélos). Os maiores ainda que estes, normalmente tocados por instrumentistas sentados em bancos, não em cadeiras, são os contrabaixos. Falei dos instrumentos de corda, mas ainda existem outras famílias (como são chamados os grandes grupos de instrumentos) como a das madeiras – flautas, oboés, clarinetas, por exemplo – e a dos metais – dos trompetes, trombones, entre outros -, só pra exemplificar. Existem algumas figuras para mostrar a disposição padrão dos instrumentos no palco que acabam com muitas dúvida.

Do que eu me lembro é isso aí. Uma mistura de um monte de coisas que você nunca ia saber porque não tinha pra quem perguntar.

ps.: Um abraço pro Maestro Miguel Torres (Miguelzinho pros íntimos) que viu a besteira que eu falei sobre Beethoven: ele é clássico E romântico. Corrigi no post.

Fone de ouvido não é megafone – campanha pelo respeito ao ouvido alheio

Post curto sobre a falta de noção das pessoas que andam comigo nos transportes públicos.

Hoje, na ida pro trabalho, sentei do lado de uma estranhíssima figura. Roupa estranha, cabelo engraçado, óculos escuros, pulseiras e um celular na mão. Preso ao celular um fone de ouvido.

Tenho dormido pouco e mal durante os últimos dias e achei que poderia descontar o atraso do meu sono cochilando na ida pro trabalho. Não consegui. O figura do parágrafo anterior ouvia seus funks no último volume! O som era tão alto que parecia que o fone de ouvido dele era uma espécie de megafone, sei lá. Mudei de lugar – um banco na frente – mas não adiantou. Fui acordado mesmo, quase xingando o infeliz pelo falta de educação.

Na volta do trabalho a esperança voltou: peguei o metrô, depois a integração e já ia embarcando num cochilo quando um rapaz sentado do outro lado do ônibus começa a conversar no celular. Conversar não, berrar. Seres civilizados não conversam daquele jeito. Falava tão alto que praticamente acompanhei a conversa inteira mesmo estando sem o menor interesse na professora dele que não foi a aula porque estava doente e sei lá mais o que.

Não foram as primeiras vezes que coisas assim aconteceram. Na próxima vez que um maluco começar a falar/ouvir som alto no busão prometo protestar: começo a berrar no ouvido do infeliz…