Hora do Planeta

Amanhã, dia 26 de Março, das 20h30 até as 21h30, um monte de gente (e empresas também, pelo que parece) vai apagar as luzes, graças a Hora do Planeta, como um símbolo de preocupação com a atual situação da Terra. A ideia é da WWF e é realizada desde (não sei quanto tempo), mas ano passado teve alguma repercussão.

Hora do (Capitão) Planeta?
Hora do Capitão Planeta

Muito legal, um montão de gente num sábado desligando as luzes de casa por uma hora. Meu Deus, pra quê? Uma hora no ano, num sábado? Grande ajuda galera, vamos continuar mandando terra, fogo, vento, água e coração pra ver se tudo muda em uma hora e a gente salva esse planetinha tão surrado.

Como alternativa eu deixo ideias de terceiros como: alugar o Brasil planeta; ou entrar num cruzeiro interplanetário e voltar daqui a 700 anos pra resolver, que nem os gordinhos do Wall-e fizeram.

Retrospectiva 2009

Esse ano, pela primeira vez, estou com vontade de assistir à Retrospectiva 2009.

Não foi um ano bom pra mim. Foi, com muita boa vontade, razoável e olhe lá. Se o programa fosse sobre a minha vida seria bem chato, com idas pro trabalho ouvindo rádio (BandNews FM, vejam como fico velho) e voltas num metrô apertado com o protagonista se perguntando se era aquilo ali mesmo que ele queria da vida. Não era. Talvez (re)vendo o que aconteceu em 2009 eu veja que pelo menos pro mundo foi um ano interessante.

Não sei como funciona esse programa, não sei se é dividido em meses ou em fatos ou ainda em categorias, tipo “Mortes importantes” e “Escândalos políticos”. De um jeito ou de outro tentei me lembrar o que marcou os noticiários em 2009 e fiz mentalmente uma pequena lista de coisas que eu queria parar de ouvir e não podia. A ordem de exposição é por ordem de aparição na minha lembrança e não por ordem de importância. Não que isso faça muita diferença.

O acidente com o avião da Air France foi o primeiro da lista. Fiz questão de esquecer aquele número do avião (airbus tralalá) que todo santo dia repetiam na minha cabeça, fosse no rádio, na televisão ou no trabalho. Teve o Lula falando que se a gente acha petróleo tão fundo como não acharíamos um avião daquele tamanho. Não achamos.

Teve a crise também. Uma ladainha sem fim, por sinal. O que me lembrou, não sei bem porque, de IPI. Como encheram o saco com IPI! Linha branca, carro, etc. Crise também lembra EUA, que me lembrou Obama que me lembrou que ele ganhou o Nobel da Paz. Deve passar isso na Retrospectiva.

Na categoria “Escândalos políticos” tem o Sarney empregando a família toda. Aliás o termo escândalo é até mal colocado, porque escândalo tem que causar espanto e roubalheira no Brasil não dá em nada – nem em espanto, pelo menos pra mim – faz muito tempo. Teve o caso do Arruda com dinheiro até lá onde o sol não bate (duvida?!) e que – adivinhem – até agora não deu em nada. Nem em panetone.

Nos obituários reinou Michael Jackson e fiquei me perguntando se vão lembrar do Lombardi, do Alborghetti e da Leila Lopes. Aliás eu só me lembrei que o Michael Jackson tinha morrido porque vi no comercial do programa. Teve mais alguém que eu não lembro, com certeza. Vou ficar espantado com esse programa, posso sentir isso.

Teve o cara que roubou não-sei-quem na frente de uma farmácia na Tijuca, não teve? Foi esse ano?! Nem me lembro. Coisas assim passam na Retrospetiva? Nardoni não foi esse ano, mas deve passar alguma coisa. Suzane von Rixksiewstofen idem e aquele cara que (dizem) traçava as pacientes que queriam inseminação artificial também.

Se eu continuar envelhecendo tanto quanto me senti envelhecido – não no corpo, mas na mente, se bem que no corpo… – no final do ano da graça de dois mil e dez estarei assistindo a São Silvestre.

Internet força e internet arte

Antes havia o futebol arte. Dribles do Garrincha, gols do Pelé e etc. formavam uma imagem do futebol bem diferente da atual, caracterizada pela técnica e força física dos jogadores – o futebol força. A divisão arte/força não se restringiu só ao futebol e se expandiu para todas as áreas. Os desfiles de escola de samba, por exemplo. Se antes era tudo arte, inovação e mensagens bem trabalhadas hoje existe o “desfile técnico”. Até roubar antigamente era mais difícil. A habilidade dos batedores de carteira deu lugar à força bruta usada hoje pelos traficantes.

O surgimento de regras, técnicas, manuais e coisas do gênero contribuíram pra essa mudança. O ”assim dá certo” é aplicado em várias (pra não dizer em todas) as áreas, o que tem aspectos bem positivos, mas tira um certo brilho e intimida a inovação. Tudo vira uma linha de produção, com coisas iguais, repetidas, tediosas, que até cumprem o objetivo, mas fazem só isso.

A internet é um exemplo. Antes o empirismo era tudo, não havia regras de usabilidade, nem Nielsen, nem ninguém. Muita gente mandava mal, mas alguns criaram conceitos. Vieram os manuais de usabilidade e as coisas mudaram. Sites que vão só no “assim dá certo” de fato dão certo, mas raramente inovam. Fazem um desfile técnico, marcam gol sem driblar.

Jogar as diretrizes de usabilidade do Nielsen no lixo? Com certeza não. Mas novos conceitos ainda são possíveis e precisam ser inventados. O mundo não é estático e a internet é ainda mais dinâmica que tudo. Arriscar uma inovação e criar conceitos novos, simples mas revolucionários, são os passos dos gênios em todas as áreas.