Quem aí ama o filme A Múmia de 1999? Misturado com Morte no Nilo… e tudo isso se passa no Egito, final do século XIX, a época de ouro das grandes escavações? Eu! Com certeza, deve ter mais alguém, né!😀

Eu li a sinopse e achei perfeito. O livro também é muito bonito, com certeza entraria na lista dos livros que compraria pela capa. Já vou avisando que esse é o volume 1 da série Segredos do Nilo, vi no perfil da editora Arqueiro que o volume 2 sai agora em 2025 aqui no Brasil. Tomara!
Trata-se de um belo romance histórico que começa em Buenos Aires, com a nossa protagonista Inez Oliveira, bastante inteligente, curiosa e determinada que recebe notícias de seus pais, que estão no Egito. Ela parte para lá querendo mais informações, e a aventura começa. Recheada de romance, magia, segredos e descobertas que você não vai conseguir parar de ler! Muitos segredos envolvem a morte dos pais e seu tio Ricardo, que agora passa a ser o tutor de Inez, não quer explicar muita coisa para ela.

Gosto de cara da personagem da Inez, mas aos poucos com a construção do enredo, que é em primeira pessoa, vai ficando repetitivo com os dilemas internos dela, que acabam minando o potencial dessa história. Tem momentos que você fica por vários parágrafos na obsessão dela com o Sr. Whitford, o assistente misterioso do seu tio. Ela quer descrever cada mini movimento do olhar, quantas vezes engoliu a saliva, como segurava o copo… já entendemos, segue a história, sabe?
Primeiro, o sujeito tentara me mandar embora do Egito. Agora, estava me mandando ir jantar.
— Pare de tentar me dizer o que fazer.
Ele deu a volta na cama e parou diante de mim, um brilho travesso escondido no poço profundo de seus olhos azuis. O sutil cheiro de bebida alcoólica em seu hálito espiralava entre nós.
— Prefere que eu flerte com você?
Sua confiança, beirando a arrogância, devia vir de nunca ter ouvido um não em toda a sua vida. Minha expressão permaneceu impassível.
— Eu não perderia meu tempo.
— Certo. Você está fora de questão.
O livro também tem uma questão da magia antiga, que não fica lá muito claro o funcionamento, quando ativa e por que funciona com essa pessoa e não com aquela outra. Às vezes tenho a impressão que a autora esquece do assunto e depois quando convém volta. Assim, funciona na história, mas fica meio 😏 cansativo, tipo “lá vem…”
Não quero te desestimular de ler o livro, ele vale muito a pena. Do meio pro final ele fica bem intenso e difícil largar a leitura. A pesquisa histórica é bem feita pela autora, é bem descrita. Super gostoso, me senti bem envolvida pelo ambiente.
É um livro nota 7. Ótima leitura para umas férias, uma viagem, só pra relaxar.
SPOILERS! Daqui pra frente é por sua conta e risco
Inez recebe a notícia da morte de seus pais, sem muitas informações da causa, e que seu tio cuidará da sua fortuna até ela se casar. Ela sai de Buenos Aires num navio para o Egito, se passando por viúva. Assim que ela chega, o objetivo do tio é enviá-la de volta e isso só levanta mais suspeitas.
O tio tenta por duas ou três vezes colocá-la de volta para Buenos Aires em um navio. Inez dá um jeito de fugir e, ao invés de voltar, segue Ricardo escondida para as escavações, em um navio através do Nilo, até que o tio descobre.

O tio está em busca do local do sarcófago de Cleópatra. Inez então se torna uma ajuda importante, já que a tal magia que comentei antes funciona com ela, ajudando a encontrar artefatos e tal. Inez também tem um talento incrível para desenho, numa época em que as escavações eram documentadas dessa forma.
… antes que as pessoas construíssem suas cidades, antes de decidirem se fixar em áreas específicas, gerações passadas de Feiticeiros no mundo todo criavam magia com plantas raras e ingredientes difíceis de encontrar. A cada feitiço realizado, a magia liberava uma faísca, uma energia extraordinária que era literalmente bem pesada. Como resultado, ela se impregnava em objetos próximos, deixando em seu rastro uma marca do feitiço.
Descobrimos que a história não era como haviam contado. O tio não é aquilo que aparenta e a mãe não estava morta. Aí a mãe engana a Inez pra roubar artefatos! No fim, a mãe estava envolvida com negócios ilícitos e o tio era o cara legal.
Temos a questão da química (ou obsessão) da Inez com o Sr. Whitford, que é óbvia desde o primeiro momento. A pedido do tio, ele vira uma babá da garota e se desenrola o clássico conflito Deus me livre, mas quem me dera, no melhor estilo O’Connell (Brendan Fraser) e Evelyn (Rachel Weisz), do filme A Múmia. É bonitinho de acompanhar, e é claro que no final vai dar tudo certo. Ele tira ela de muitas confusões.
— Você é tão…
— Franca? — sugeri, prestativa.
— Irritante!
Irritante era muito melhor do que indiferente. Mas eu não deveria me importar, levando em conta o estado civil do rapaz e tudo mais.
O livro acaba e ainda temos muitas perguntas e pontas soltas que espero que sejam respondidas no segundo volume.

Interessante comentar que há questionamentos bem relevantes e ainda atuais sobre as relíquias egípcias ficarem por lá ou irem para museus na Europa. Aliás, as tramas da história passam por tráfico de artefatos e não tem exatamente um final com justiça nesse livro, fica meio em aberto. Acredito que venha no segundo livro.