Resenha: Watchmen – Alan Moore e Dave Gibbons (DC de Bolso)

Watchmen é um daqueles clássicos que todo fã de quadrinhos tem que ler. A história é ótima e em 2024 foi lançada como parte da coleção DC de bolso da Panini!

A grande vantagem dessa edição da Panini na verdade é o preço. Enquanto a edição definitiva custa R$ 225,00 na Amazon, o preço tabelado da edição de bolso é “só” R$ 79,90. Ainda não é de graça, mas pela qualidade da obra vale a pena.

Sobre o Watchmen

A história se passa em 1985 e começa com o assassinato do Comediante, um dos ex-Watchmen, um grupo de vigilantes que lutava contra o crime nos anos 40, 50 e 60. O grupo teve diferentes formações e foi desfeito após o governo decretar que os vigilantes eram ilegais.

Nesse começo seguimos Rorschach, outro integrante do grupo, que suspeita que há algo maior acontecendo contra os ex-mascarados. Daí passamos para Coruja, Espectral, Dr. Manhattan, Ozymandias e outros membros do antigo grupo de vigilantes.

A história vale MUITO a pena, feita para adultos. São várias camadas, indo de dramas pessoais até o conflito entre EUA e União Soviética e o desequilíbrio político trazido pela simples presença do Dr. Manhattan, o único ser superpoderoso da história. Moore é muito feliz em passear por tantos personagens, enquanto faz várias críticas à sociedade da época. Tudo, feliz ou infelizmente, extremamente atemporal.

Por falar em ser para adultos, embora a história envolva alguns relacionamentos românticos e um estupro (três quadros, mas cuidado com gatilhos), em momento nenhum ela descamba para a putaria. Em determinado momento o Dr. Manhattan manda um f*da-se e começa a andar peladão, mas só tem pau mole em alguns poucos quadros. Inclusive, deixo aqui minha menção honrosa para aquela broxada (literal) de um outro personagem no meio da história.

Outro fato interessante é sobre o grid de 9 quadros usado por Dave Gibbons em toda a graphic novel. Não é que toda página tem nove quadros, mas todos os quadros de todas as páginas são variações desse grid. Foi uma limitação autoimposta como homenagem aos quadrinhos antigos, e essa metalinguagem deixou tudo ainda mais interessante para mim.

SPOILERS: Como programador, também não posso deixar de comentar uma parte onde o Coruja está tentando invadir o computador do Ozymandias, mas erra a senha. Aí o computador, ao invés de dizer que a senha estava errada, diz que A SENHA ESTÁ QUASE CERTA. O maior furo de segurança da história da computação, achei engraçado. FIM DOS SPOILERS.

Ah, e existe o filme do Zach Snyder também, mas o quadrinho é mil vezes melhor.

Sobre a edição DC de bolso da Panini

As edições mais comuns de Watchmen são em formato A4, mas a DC de bolso é formato A5. Para os quadros e a arte, isso não é problema nenhum, mas Watchmen não é só uma graphic novel

A história tem 12 capítulos e, ao final dos onze primeiros existem páginas quase completamente em texto. Capítulos de um livro fictício, recortes de jornais, etc. É MUITA LEITURA, mas o Alan Moore consegue manter quase tudo muito interessante. Mas lembram do formato A5? Pois é, aqui ele faz diferença. Em algumas partes a letra é BEM PEQUENA.

Nota 9 / 10. Sinceramente, só não dou 10 por conta das letrinhas bem miúdas no A5 e do tanto de texto no tal conteúdo extra de cada capítulo. Fica meio cansativo do meio pro final.