I Concerto de Música Unisuam

Não marca nada pra quinta-feira não, depois de ler este post você já vai ter o que fazer.

No próximo dia 3 de Dezembro às 18h será o primeiro concerto da Orquestra de Câmara Unisuam, da qual eu faço parte com muito orgulho. A orquestra foi fundada este ano pelo Maestro Miguel Torres e fará sua primeira apresentação na própria faculdade, que fica em Bonsucesso. É super tranquilo pra chegar de trem (e não se iluda, o trem está 10x melhor que o metrô) então não tem desculpa pra não ir. Junto com a orquestra também se apresentarão o coral da Unisuam e um quinteto de metais convidado.

O programa conta com peças de Nunes Garcia, um concerto pra piano e orquestra de Bach, além de peças tradicionais de Natal – adianto aqui que o arranjo daquela “Papai Noel, vê se você vem…” (não sei o nome da música mesmo) é do caramba.

O concerto é no campus de Bonsucesso, que fica na Av. Paris 72.

I Concerto de Música Unisuam

Não vai perder, vai?!

“A Menina que Brincava com Fogo” – Millennium 2

Há mais ou menos duas semanas contei pra vocês as minhas impressões sobre o primeiro livro da trilogia Millenium do Stieg Larsson, “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”. Depois de terminar de lê-lo comprei os outros dois livros, “A Menina que Brincava com Fogo” e “A Rainha do Castelo de Ar”. Terminei de ler o “A Menina que Brincava com Fogo” ontem e aproveito para contar pra vocês um pouco sobre este segundo livro.

A sinopse do livro na saraiva.com.br:

Lisbeth parece uma garota frágil, mas é uma mulher determinada, ardilosa, perita tanto nas artimanhas da ciberpirataria quanto nas táticas do pugilismo. Mikael Blomkvist pode parecer apenas um jornalista em busca de um furo, mas no fundo é um investigador obstinado em desenterrar os crimes obscuros da sociedade sueca, sejam os cometidos por repórteres sensacionalistas, sejam os praticados por magistrados corruptos ou ainda aqueles perpetrados por lobos em pele de cordeiro. Um destes, o tutor de Lisbeth, foi morto a tiros. Na mesma noite, contudo, dois cordeiros também foram assassinados – um jornalista e uma criminologista que estavam prestes a denunciar uma rede de tráfico de mulheres. A arma usada nos crimes não só foi a mesma como nela foram encontradas as impressões digitais de Lisbeth. Procurada por triplo homicídio, a moça desaparece. Mikael sabe que ela apenas está esperando o momento certo para provar que não é culpada e fazer justiça a seu modo. Mas ele também sabe que precisa encontrá-la o mais rapidamente possível, pois mesmo uma jovem tão talentosa pode deparar-se com inimigos muito mais formidáveis, e que, se a polícia ou os bandidos a acharem primeiro, o resultado pode ser funesto, para ambos os lados.

Neste livro Mikael Blomkvist está atrás de menos furos (no primeiro livro ele… err… “conhece” vários furos) estando mais interessado no furo da Lisbeth mesmo.

O primeiro te prende mais. Não que o segundo seja ruim, muito pelo contrário, é só… menos excelente. A história tem muitos personagens secundários o que acabava confundindo (soma-se a isso os nomes em sueco/russo/tcheco), mas nada que atrapalhe a leitura, fica só um pouco difícil. Os nomes dos lugares também são bem diferentes então é preciso ficar memorizando para não se perder, apesar de eu me lembrar de ter lido um “Copacabana” mais pro final.

O livro fala mais sobre a Lisbeth e os porquês dela. Porque ela é estranha, porque ela é traumatizada e etc. Isso me prendeu demais! Foi de longe a personagem mais legal do primeiro livro e saber mais sobre ela foi bem bacana. Fora isso tem a história principal que são os três homicídios e os vários personagens secundários, mas tudo é bem interligado. Cada personagem secundário tem um porquê no livro. A trama é muito bem feita.

“A Menina que Brincava com Fogo” acaba antes do que você espera, porque já emenda no começo do “A Rainha do Castelo de Ar”. Eu sei porque não pude deixar de começar a ler logo o terceiro livro.

O filme também já foi lançado lá fora. Pesquisando por aí achei que o primeiro filme será lançado no Brasil no final do ano, então acho que nem tem previsão pro lançamento do segundo.


Este post estava pronto há 20 dias, mas esperei um tempinho pra revisar e acabei esquecendo do blog. Não revisei, mas mesmo assim estou publicando (fazer o quê né?!). Terminei de ler o Millenium 3, em breve escrevo o que achei, veja o post: “A Rainha do Castelo de Ar”.

“Os Homens que Não Amavam as Mulheres” – Millenium 1

Há um tempo ouvi falar de uma trilogia que ainda não havia sido lançada no Brasil, mas que estava fazendo sucesso lá fora. The Girl with the Dragon Tattoo era o nome do primeiro livro da trilogia Millenium de Stieg Larsson, que cogitei comprar em inglês mesmo, mas acabei desistindo. Ia esperar sair a versão traduzida e acabei esquecendo. Depois de um tempo comprei o livro em português cujo título é Os Homens que Não Amavam as Mulheres (uma tradução mais próxima do nome original em sueco). Descobri um dos melhores romances policiais que já li.

Pelas minhas contas gosto de romance policial desde sempre. Meu primeiro livro da Agatha Christie foi “O Misterioso Caso de Styles”. Não sei bem porque comprei, mas aquele foi o primeiro de muitos livros que comprei e ganhei dela. Depois li vários do Sir Arthur Conan Doyle, autor do Sherlock Holmes, mas não era a mesma coisa. Até o Jô tentou, mas não conseguiu. Bom mesmo era Agatha Christie, mas não servia qualquer Agatha Christie não, só servia os com o Hercule Poirot.

Os romances da Agatha Christie só tinham um problema: se passavam antigamente. Sentia falta de uma história boa que acontecesse atualmente e encontrei no “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” (o nome é tão grande e esquisito que prefiro chamar de Millenium 1). O livro conta a história de um jornalista que terá que desvendar a história do desaparecimento de uma garota que ocorreu há 40 anos, mas o melhor do livro não é, nem de longe, o jornalista. As melhores partes são as que falam de Lisbeth Salander (a garota com a tatuagem de dragão, diga-se de passagem), a hacker do livro, uma pessoa completamente perturbada, mas exposta por Larsson de um jeito tão bem feito que rola até uma afeição pela personagem.

O livro tem duas partes pesadas. Uma delas BEM pesada, de embrulhar o estômago, do tipo de coisa que eu não gosto no cinema e descobri não gostar nem em livro, mas, por incrível que pareça, me prendeu mais ainda. Só consegui dormir depois de passar por essa parte.

Os Homens que Não Amavam as MulheresCapa do livro, editado no Brasil pela Companhia das Letras. A arte da capa é bem legal, tem até um alto-relevo…

Só li o primeiro, mas pelo que vi os três livros contam com os dois personagens, o jornalista – Mikael Blomkvist – e a Lisbeth, resolvendo casos diferentes. Ia rolar um quarto livro, mas o Stieg Larsson morreu antes de terminar. Aliás ele nem chegou a ver o sucesso dos livros dele. Li alguma coisa sobre ele, parece que era ativista contra o racismo e nazismo e também foi editor de revista.

Fui procurar saber quando saía o filme. Já saiu (acho que não veio pro Brasil) e vou tentar assistir, mas vi os personagens e me decepcionei um pouco. Mais ou menos o que aconteceu com o Assassinato no Expresso do Oriente, da Agatha Christie.

O trailer com legenda em português de Portugal:

Leia também sobre o segundo livro da série, “A menina que Brincava com Fogo“, e o terceiro, “A Rainha do Castelo de Ar”.

“De Volta para Casa” de John Grogan

No dia 5 de Agosto decidi participar da promoção de dia dos pais do @oleitorvoraz, no dia 10 saiu o resultado e o livro “De Volta Para Casa” era meu. Aliás, meu não, do meu pai. O livro chegou e ele fez questão que eu colocasse como dedicatória o que eu havia escrito na promoção, que tinha emocionado até o pessoal do leitor voraz. Fiz o que ele pediu, entreguei o livro e sinceramente achei que ele nem ia ler. “É um livro de historinha”, pensei, “não faz o estilo do coroa”. Dias depois ele me avisou que estava lendo o livro, mais alguns dias disse que estava gostando muito e depois de mais um tempo ele tinha terminado. Tinha até chorado no ônibus. Peraí, chorado no ônibus?! Era isso mesmo… Bem empolgado em me emprestar eu peguei o livro, que comecei a ler logo depois que terminei o “Start Up” que tinha comprado.

De Volta Para Casa - John GroganSempre gostei muito de ler e sempre li muito, bastante influenciado pelos hábitos da minha família. Quando criança meu quarto era uma espécie de biblioteca da família e conviver com aqueles livros todos me fez muito bem. Muitos livros me fizeram rir, pouquíssimos me feito gargalhar, mas acho que nunca tinha chorado lendo um livro. Esse me fez gargalhar – eu também estava no ônibus – e me fez chorar que nem uma criança – desta vez eu me preveni e estava em casa. Extremamente leve e envolvente consegui terminar o livro em uma ou duas semanas, o que – considerando meu tempo livre – é bem pouco tempo.

O livro conta a história de vida de John Grogan, autor de “Marley & Eu“, desde a infância até recentemente. Falar muito sobre o livro estragaria as suas surpresas e também não estou aqui pra isso. Quis escrever este artigo só pra recomendar o livro pros meus três ou quatro leitores.

Não sou fruto de uma família lá muito… linear, vamos dizer assim. Minha (breve) história de vida parece ser um pouco diferente do mais normal, mas não me queixo não, afinal é por isso que eu sou quem eu sou. Mas ver todos os conflitos do autor me fez criar uma identificação com ele. Me vi lutando as lutas dele, sabe?! E no final não pude deixar de chorar, do mesmo jeito que meu pai me contou. Acho que choramos por motivos diferentes, mas o que importa é que choramos. Eu sou o filho dele, mas ele não é só meu pai, é filho do pai dele também.

Hoje reli o que eu escrevi para ganhar a promoção. Consegui entender porque eu ganhei.


Este post não foi solicitado nem insinuado de forma alguma pela equipe do Leitor Voraz. Tampouco recebi qualquer coisa em troca desta publicação. Sou só um leitor bastante agradecido que acha que a mensagem contida no livro deve ser vista por todo mundo.

Estatuto da Igualdade Racial

Foi aprovado na câmara há pouco tempo atrás o Estatuto da Igualdade Racial, mais um movimento errado para consertar o preconceito no Brasil.

A proposta é tão ridícula e sem nexo, expõe tanto os negros, que se eu fosse negro ficaria envergonhado. O estatuto define “Desigualdade racial” como “Todas as situações injustificadas de diferenciação de acesso e oportunidades em virtude da raça, descendência ou origem nacional”. Num país como o Brasil é fato que não vai funcionar como deveria. Num país como o Brasil, onde os julgamentos são feitos pelas perspectivas mais estranhas possíveis, uma coisa assim não deveria nem ser proposta. “População Negra é o conjunto de pessoas que se autodeclaram negras ou pardas”, definição que não poderia ser diferente, chega a irritar, afinal eu sou negro. Não sou?! Quem é você pra dizer se sou negro ou não?! Sou negro sim e quero ser protegido por um estatuto que simplesmente isola um determinado grupo e confere à eles determinadas regalias.

As cotas nas universidades felizmente ficaram de fora, mas as cotas nos partidos políticos não. Na UERJ 20% das vagas são destinadas à negros, enquanto os partidos políticos devem ter 10% de candidatos negros. Se a educação pública é uma desgraça que se ajeite a educação pública, enquanto isso adota-se como medida paliativa cota para alunos de escolas públicas, mas o que tem raça a ver com isso?

Algumas coisas ficaram de fora, como “cota para negros em televisão e filmes” e “exigência de o SUS identificar pacientes no atendimento pela raça“. Acreditem, alguém algum dia achou que isso era fazer igualdade.

E que não se venha com o discurso hipócrita de sempre, dizendo que os negros fizeram muito pelo país e, uma vez que foram historicamente massacrados pelos brancos, eles merecem justiça. Isso não é justiça, isso é preconceito, é separação racial. Ao invés de pregar a igualdade estamos ressaltando as diferenças. Eu não sou da elite branca, considerar isso é ter preconceito e, me desculpem a franqueza, mas é ser extremamente babaca.

I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character. Martin Luther King, Jr.

Livre tradução: Eu sonho que um dia meus quatro filhos viverão numa nação onde eles não serão julgados pela cor, mas pelo seu caráter. Sorte dos filhos deles não terem nascido no Brasil.

Notícia completa no g1: http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1301785-5598,00.html

Música Clássica, Música Erudita e um pouco de orquestras

Como muitos sabem, entre uma das coisas que eu já fiz na vida está tocar violino. Com isso pude conhecer o universo das orquestras e da música erudita e esse artigo é para esclarecer um pouco desse mundinho pra vocês.

O primeiro ponto é o nome errado. Música clássica existe, mas nem toda música de concerto é clássica. Explico: a música, assim como a pintura, literatura e artes em geral é dividida em fases, etapas com características próprias. Mas Elia, música clássica é música clássica, com violino e aqueles outros instrumentos, não é não? Não. Aleluia, aquela mesma que toca quando acontece alguma coisa que demorou um tempão pra acontecer, não é música clássica, é música barroca. Mozart sim é clássico. Beethoven não é clássico, é e romantico. Portanto quando for falar de música de concerto chame ou de música erudita ou de música de concerto, porque a música pode ou não ser clássica.

Do parágrafo anterior uma outra dúvida comum: Aleluia, ou Hallellujah, faz parte de uma obra maior, um oratório chamado “O Messias” de Handel, Haendel, ou Händel (depende do lugar, mas sempre se fala Réndel), que, como eu disse antes, faz parte do período barroco.

Se você está indo num concerto pela primeira vez uma dica: espere os outros baterem palma primeiro. Isso porque algumas obras tem vários movimentos, ou “pedaços”, e não se bate palma no final de cada uma e sim no final da peça toda. Na afobação você corre o risco de bater palma sozinho, entre um movimento e outro.

O nome da “varinha do maestro” é batuta e não baqueta. O líder da orquestra, que a representa até no cumprimento do maestro, é chamado de spala (ombro em italiano) e é o líder dos primeiros violinos. Primeiros violinos porque existem os segundos, e assim como as violas, os violoncelos, etc., eles são naipes da orquestra. Naipes são os grupos formados pelos instrumentos e, embora não seja impossível, o natural é que os únicos instrumentos iguais que formam naipes diferentes são os violinos mesmo (às vezes existem dois ou mais naipes dos outros instrumentos também, depende da vontade do compositor). Ah, o nome daquilo que passa no violino não é vara tá?! É arco! E cada ida pra cima ou pra baixo daquilo é uma arcada. Como às vezes (normalmente é assim) os primeiros violinos tem melodias diferentes do segundo as arcadas podem ficar diferentes em alguns trechos, embora seja serviço dos líderes dos naipes deixa-las o mais parecida possível. Os violinos grandes, que ficam entre os segundos e os violoncelos se chamam “violas” e não “violinos grandes”. E aqueles que ficam entre as pernas do músico são os violoncelos, ou cellos (tchélos). Os maiores ainda que estes, normalmente tocados por instrumentistas sentados em bancos, não em cadeiras, são os contrabaixos. Falei dos instrumentos de corda, mas ainda existem outras famílias (como são chamados os grandes grupos de instrumentos) como a das madeiras – flautas, oboés, clarinetas, por exemplo – e a dos metais – dos trompetes, trombones, entre outros -, só pra exemplificar. Existem algumas figuras para mostrar a disposição padrão dos instrumentos no palco que acabam com muitas dúvida.

Do que eu me lembro é isso aí. Uma mistura de um monte de coisas que você nunca ia saber porque não tinha pra quem perguntar.

ps.: Um abraço pro Maestro Miguel Torres (Miguelzinho pros íntimos) que viu a besteira que eu falei sobre Beethoven: ele é clássico E romântico. Corrigi no post.